Valor Magazine – Semanário Sol – Madeira como Ecossistema Internacional: O Papel das Redes e Parcerias Estratégicas

Madeira como ecossistema operativo para empresas globais

A Madeira tornou-se um polo internacional para empresas e investidores. Tânia Castro, partner e diretora-geral da TPMC – International Management Solutions, revela como o ecossistema fiscal competitivo, aliado a uma rede de parceiros experientes e apoio personalizado, transforma barreiras burocráticas em oportunidades e posiciona a ilha como plataforma de negócios global.

Que fatores tornam a Madeira atrativa para quem quer estruturar operações internacionais?
A atratividade da Madeira resulta da combinação de fatores fiscais, institucionais, geográficos e qualitativos. O Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) constitui o principal pilar dessa atratividade. O seu regime fiscal assente numa taxa de IRC reduzida e o acesso pleno à rede de convenções para evitar a dupla tributação de Portugal, oferece uma solução fiscal eficiente e alinhada com os padrões internacionais.

Por fim, a Madeira oferece uma estabilidade política e jurídica, um sistema legal português inserido na UE e Zona Euro, bem como elevados níveis de proteção ao investimento estrangeiro e previsibilidade regulatória. A isto soma-se um custo operacional inferior ao dos grandes centros europeus.

Que tipo de parcerias são mais decisivas para o sucesso de um investidor que chega à Madeira e qual é o papel concreto da TPMC nes sas redes?
Escolher parceiros experientes, credíveis e com provas dadas no mercado regional é essencial. Qualquer investidor necessita de conhecer o mercado para onde vai estruturar o seu negócio e rodear-se dos melhores services provider, desde o consultor fiscal, legal e contabilístico. A TPMC permite ao investidor ter esses mesmos consultores todos no mesmo sítio. Estamos no mercado há cerca de 35 anos, com departamentos que permitem ao investidor ter assistência em diversos setores, nomeadamente legal, contabilidade, recursos humanos, fiscal, administrativo, recrutamento e family office.

“A TPMC atua como facilitadora deste processo de integração, promovendo a participação dos seus clientes em eventos regionais, câmaras de comércio e associações empresariais”.

Quais as maiores barreiras que os investidores e novos residentes encontram ao instalar-se na Madeira e que soluções a TPMC utiliza?
Uma das principais dificuldades são os processos administrativos que podem ser complexos e demorados. O facto de a legislação nacional coexistir com especificidades próprias da Madeira, pode gerar alguma confusão, sobretudo para quem provém de sistemas jurídicos diferentes.
Para ultrapassar estes obstáculos, prestamos um apoio integrado desde o início, assegurando a preparação e submissão de toda a documentação necessária até ao licenciamento no Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM).

Apesar do caráter acolhedor da população madeirense, subsistem práticas culturais e dinâmicas de negócio próprias que podem diferir das expectativas de investidores, ao nível da comunicação, dos tempos de decisão ou de normas implícitas de relacionamento profissional. A TPMC atua como facilitadora, promovendo a participação dos clientes em eventos regionais, câmaras de comércio e associações empresariais. Outra dificuldade é a disponibilidade de talento especializado em áreas como a tecnologia, serviços internacionais ou funções altamente especializadas. Para responder a esta necessidade, temos um departamento de recrutamento especializado, que apoia na identificação e contratação de profissionais, bem como na definição de pacotes de remuneração competitivos e ajustados ao mercado.

“Qualquer investidor necessita de conhecer o mercado para onde vai estruturar o seu negócio e rodear-se dos melhores services provider, desde o consultor fiscal, legal e contabilístico”.

Que setores ou atividades oferecem maior potencial na Madeira nos próximos anos?
Destacam-se, em particular, a Economia Digital e a Tecnologia, através de parcerias Universidade–Empresa para pesquisa aplicada, estágios e incubação de start-ups, da criação de hubs de inovação setoriais (ex.: saúde digital, agrotech, turismo tech), e de incentivos à captação de talento internacional e programas de realocação.

A Logística Marítima e a Economia Azul surgem igualmente como áreas estratégicas, apoiadas por investimentos em infraestruturas portuárias, digitalização das cadeias logísticas, parcerias com operadores globais e políticas de promoção de clusters ligados à manutenção naval e às atividades do mar.

Complementarmente, a Educação e a captação de talento assumem um papel central, através do reforço de programas de formação técnica e da facilitação do acesso a mercados internacionais, nomeadamente por via de acordos com redes de hubs empresariais em cidades como Lisboa, Madrid, Londres, Dubai ou Nova Iorque.